Minas Gerais já assegura o passe intermunicipal e possui normas que tratam da adaptação do transporte coletivo. Ainda assim, a realidade mostra que muitas pessoas com deficiência, especialmente aquelas com maior limitação de locomoção, continuam sem conseguir se deslocar com autonomia. O ônibus adaptado existe no papel, mas, na prática, não atende a todas as necessidades, seja pela falta de estrutura adequada, seja pela dificuldade de acesso até os pontos ou pela ausência de suporte no embarque e desembarque.

Essa lacuna evidencia a necessidade de uma política estadual que complemente o transporte coletivo tradicional, estruturando um modelo de deslocamento porta a porta para pessoas com deficiência que não conseguem utilizar o sistema convencional. Trata-se de reconhecer que igualdade de acesso não se resolve apenas com infraestrutura básica, mas com políticas específicas que considerem diferentes graus de autonomia. A construção dessa política, em cooperação com municípios e organizada por regiões, permite garantir deslocamento para saúde, educação, trabalho e participação social, transformando mobilidade em direito efetivo e não apenas formal.